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Quem escreve deve saber que suas criações não são mais suas, mas de quem as lê.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Engano.

Está ciente de que toda vez que me deixa, cria buracos dentro de mim. Está ciente de que quando voltar, outro terá preenchido alguns deles. Ou talvez, somente o tempo os preencha. Está ciente, mas continua me rasgando, continua me magoando. O que será que você mantém em mente? Não pense que o que queima é apenas quente, pode ser frio também. Finas agulhas de gelo podem te queimar em lugares que você não sabia que tinha. Mas, nos deixamos levar, deixamos sempre do jeito que está. Algum dia, e esse dia hà de chegar, os pequenos pedaços da sua alma voltarão a me completar. (Autor Desconhecido)

Como eu te amei...


Eu te amei, com todas as minhas forças, de todos os jeitos, gestos e formas possíveis, de todo o meu coração. Mas parece que não foi o suficiente para você, ou talvez tenha sido demais para você suportar. Quando de fato, permitir ser amada eu já vou estar em outra. Todo o amor que dediquei a você terá outro dono, outra pessoa estará ocupando o lugar que era reservado apenas para você. E tenho duas más notícias para te dar: Primeiro, eu permito ao meu coração sofrer apenas uma vez por alguém, ou seja, você não tem mais a mínima chance de conseguir me magoar de novo, desista. Segundo, ninguém irá te amar como eu e nem ao menos te fazer feliz como eu faria. Mas é claro que você nunca saberá disso e chegará a pensar que sua felicidade chegou ao limite e que ninguém é mais feliz do que você, chega até a ser cômico. Afinal, você não me permitiu mostrar que não há limites para ser feliz.

Noah e Allie.


Noah: Você poderia apenas ficar comigo?
Allie: Ficar com você? Pra quê? Olhe pra nós, já estamos brigando!
Noah: Mas isso é o que nós fazemos! Nós brigamos! Você diz que eu estou sendo um arrogante filho da puta, e eu te digo que você está sendo um pé no saco... o que você é, 99% do tempo. Eu não tenho medo de ferir seus sentimentos, porque depois de dois segundos, você voltará a ser um pé no saco.
Allie: Então o que?
Noah: Então não será fácil, será muito difícil. E nós teremos que trabalhar nisso todos os dias, mas eu quero isso, por que eu quero você.

Sociedade atual!





Eu sou lésbica, então eu devo me apaixonar por toda garota que vejo. Eu tenho vários amigos homens, então eu devo estar transando com cada um deles. Eu sorrio muito, então eu devo ter uma vida perfeita. Eu escuto reggae, então eu devo estar chapado. Minha opinião interessa, então eu devo ser esnobe. Sou negro, então devo ser favelado. Sou negro , então devo ser burro. Sou mexicano, então devo ser de classe baixa. Sou muito atraente, então devo ser uma vadia. Eu gosto de beber, então devo ser um alcoolatra. Eu não saio com garotos, então eu devo ser lésbica. Eu me corto, então devo ser emo. Sou bisexual, então devo transar com meu melhor amigo hétero. Eu dou risada e sorrio, então eu não posso estar depressivo. Eu gosto de passar meu dia em casa, então eu não tenho nenhum amigo. Eu sou gay, então devo ser violentado. A maioria dos meus amigos são garotos, então eu não posso ser feminina. Eu sou muçulmano, então eu devo ser um terrorista. Eu cometo um monte de erros, então eu devo ser retardado. Eu defendo fielmente o movimento LGBT, então eu devo ser gay. Eu sou de uma familia quebrada, então eu devo ser rebelde. Eu curto cores rastafari, então eu devo fumar maconha. Eu já transei, então eu devo ser uma piranha. Eu errei, então não devo ser digno de confiança. Eu sou Filipino, então devo ser uma empregada. Eu sou político, então eu devo ser corrupto (← ISSO E FATO). Eu sou loira, então eu devo ser muito burra. Eu estou usando uma camisa preta, então eu devo ser emo. Eu uso maquiagem, então eu devo ser chavequeira. Eu sou adolescente, então eu devo ser incompreendido. Eu sou uma pessoa, então eu devo ser estereotipado.
FAÇA-ME O FAVOR, NÉ!
(Beijos, Blues e Poesias _

O homem e a borboleta.


Um dia, pequena abertura apareceu num casulo e um homem ficou observando o esforço da borboleta para fazer com que seu corpo passasse por ali e ganhasse a liberdade.
casuloPor um instante, ela parou, parecendo que tinha perdido as forças para continuar. Então, o homem decidiu ajudar e, com uma tesoura, cortou delicadamente o casulo. A borboleta saiu facilmente. Mas, seu corpo era pequeno e tinha as asas amassadas.
O homem continuou a observar a borboleta porque esperava que , a qualquer momento, as asas dela se abrissem e ela saísse voando. Nada disso aconteceu.
A borboleta ficou ali rastejando, com o corpo murcho e as asas encolhidas e nunca foi capaz de voar!
O homem, que em sua gentileza e vontade de ajudar, não compreendeu que o casulo apertado e o esforço eram necessário para a borboleta vencer essa barreira.
Era o desafio da natureza para mantê-la viva. O seu corpo se fortaleceria e ela estaria pronta para voar assim que se libertasse do casulo.
Algumas vezes, o esforço é tudo o que precisamos na vida. Se Deus nos permitisse passar pela vida sem obstáculos, não seríamos como somos hoje.
A força vem das dificuldades, a sabedoria, dos problemas que temos que resolver, a prosperidade, do cérebro e músculos para trabalhar, a coragem vem do perigo para superar e, às vezes, a gente se pergunta: não recebi nada do que pedi a Deus. Mas, na verdade recebemos tudo o que precisamos. E nem percebemos.
Pense nisso:
“Lute sempre pelos seus ideais, pois é difícil fazer com que um homem se sinta infeliz quando ele acredita que tem valor por si mesmo e reivindica sua afinidade com o grande Deus que o fez.”
Abraham Lincoln

Era, amor.


Você está certo em exibir ao mundo tantos dentes e tão brancos. Eu é que estou errada quando paro um pouquinho para olhar com tristeza esses sustos do amor. Não tem mais você tirando sarro quando eu não aguentava a dor no peito e te dizia no escuro que era mais ou menos amor mesmo. Porque era. Porque é. Se você soubesse o estado que estou agora, zumbi, pegando detalhes seus por aqui, e doendo tanto que nem sei mais por onde começar. Eu não aguento mais começar. Queria tanto continuar. Não sei, não aguento, ainda não posso, mas queria continuar. (Autor Desconhecido)

Eu vou te acordar no meio da noite [...]


[...] e te dizer que estou sem sono. Você vai me abraçar, me beijar, e dizer que não se importa em virar a noite acordado comigo. Você vai me fazer carinho, até eu pegar no sono, e logo em seguida, se acolherá junto a mim, me abraçará como se eu fosse a coisa mais importante da sua vida…

Não deixe o tempo passar


Pra cada mentira, sempre terá alguém pra acreditar. Não por esse alguém ser tolo ou inocente demais, talvez por isso também. Mas porque pra cada mentira que precisa ser dita tem alguém que precisa dela pra viver. Não importa se a pessoa não é tão inocente e a verdade está bem em frente à ela, a mentira é às vezes a única coisa que a faz seguir em frente, e ela não abandona isso por circunstância nenhuma. Em casos raros, às vezes acontece, mas não pense que é rápido. Quanto mais uma mentira é alimentada, mais a esperança se aprofunda e vai deixando vários buraquinhos dentro do coração que acredita nela sem perceber, e quando a mentira finalmente aparecer (isso quando ela aparecer!) os cantinhos do coração ferido que estão sem buraquinhos vão ser muito poucos para sustentarem sozinhos uma única pessoa. Em cada canto que a pessoa procurar esperança vai achar um buraquinho oco, e a única coisa que conseguirá fazer é perguntar a si mesmo quando foi que ela deixou crescerem tantos daqueles, e como tudo isso começou. Isso acontece com quem mente também, mas quem mente às vezes está tão acustumado a viver na mentira que nem se importa, apenas segue como se tudo fosse a realidade.. mas às vezes (eu digo, bem raramente) por trás de tanta mentira exista só um outro coração oco, cheio de buraquinhos que ninguém conseguiu tampar, e aí quando esses dois corações se trombam, depois de brigarem percebem que apenas um é possível de curar o outro. Mesmo que um deles seja culpado pelo oco que foi causado ao outro e o outro nunca tenha feito droga nenhuma pra aquilo acontecer, quando você ama o mais difícil é ignorar. Talvez com o tempo você sinta que ele diminuiu, mentira, ele só foi tirado do centro das atenções, o amor está em você, e você vai perceber isso quando falar com quem ama. E mesmo que a pessoa tenha te machucado, tenha pisado em você, feito tudo errado e você aparente estar em dúvida ou talvez imóvel à toda a dor dela, seu interior só sabe gritar o quanto esse amor é grande e está sufocando. Então se você ama mesmo alguém, não importa o sexo ou as condições, vá atrás do que você sente, porque se essa pessoa te ama de volta isso é absolutamente tudo o que você precisa e que se dane o resto. Mas eu sei, eu sei.. falar é fácil, fazer é mais difícil. (Autor Desconhecido)

"Medo da eternidade."

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.
- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.
- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.
Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.
Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obediente mente, sem parar.
Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.
Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

Autor desconhecido.

"Mil partidas formaram-me desde a infância, devagar"


Tenho me despedido aos poucos. Tão sutilmente que talvez ninguém perceba. (Sutilezas são coisas que poucos ainda têm percepção.) Cada dia da minha vida tem sido o último. Cada texto tem sido uma carta de adeus, cada frase uma confissão de amor. “Mil partidas formaram-me desde a infância, devagar”, teria dito Rilke e eu não diria melhor. Tenho pensado nessas coisas que as pessoas sentem, mas não dizem. E às vezes me pergunto se realmente sentem. Não sei a resposta. Posso ter sido eu que vim com defeito e sinto essas coisas e não encontro quem também as sinta. Não é questão de compreender, é sentir. Ouvi algumas vezes me dizerem que sou único. E já escrevi também, plagiando inconscientemente não sei quem, que não quero ser único. Sempre tive a esperança de encontrar alguém, que não seja como eu porque dois de mim seriam insuportáveis, mas alguém… Não sei explicar. Pra essa pessoa não precisaria explicar, simplesmente seria entendido. E mais que entendido… Muito mais, mas também não sei explicar. Dizem que pra bom entendedor meia palavra basta. E eu digo que pra mau entendedor nem uma vida inteira basta. Não sei se faço parte dos bons ou maus entendedores.
Tenho pensado bastante na palavra “doçura”. Ouvi essa palavra algumas vezes também, ao se referirem aos meus olhos, ou a mim, ou algo relacionado a mim. Caio F. dizia que “há pessoas que são como a cana, mesmo postas da moenda, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura”. Sou uma dessas pessoas? Minha resposta não existe. Talvez não seja doce, mas agridoce. Doces enjoam, ácido corrói. Há abismos sem fundo dentro de mim. Há horizontes sem fim dentro dos meus olhos. E me lanço, nos abismos e aos horizontes. Não é pretensão, mas acho que poucas pessoas chegaram perto de me ver, outras apenas desconfiaram, outras talvez tenham visto e se atraído, em seguida fugido. É… Devo ser assustador. Poucas chegaram suficientemente perto. Se é que chegaram. Cada um por si, diriam. Ou, Caetaneando, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. E só cada um. Que não se abre verdadeiramente para que outro descubra, o descubra. Entre realmente na sua vida, dentro de si, de seu universo. Então temos sete bilhões de pessoas únicas. E sozinhas. Cada um por si… Dizem que a única certeza da vida é a morte. Eu acrescentaria mais uma, se tivesse certeza em vez de esperança do contrário, que cada um é só e nada mudará isso. Nem a ilusão, miragem ou o que chamo de “esperança”. Passei a vida inteira tendo a esperança de que alguém se deixasse descobrir e se conhecer e se compartilhar. A mesma de que alguém também quisesse fazer isso comigo. Sempre estive aberto e disposto, às duas coisas. Em busca disso criei céus, movi terras. Algumas vezes pensei ter encontrado. E então? Miragens. Nada mais ingênuo. Nada mais utópico. Nada mais ridículo. Mas acho que uma ou duas vezes realmente encontrei. Mas acho também que as pessoas não gostam mesmo de ser descobertas. Também não querem se dar ao trabalho de descobrir.
Tenho deixado as janelas abertas. Na verdade, sempre as deixei. Queria, antes de partir, que não sei quando será, mas poderá ser a qualquer hora, a herança a quem se com isso se importe, de dizer que o amor realmente existe. Não porque o encontrei, mas porque amei. Mas seria injustiça e ingratidão dizer que não o encontrei, ou que realmente amei. Também fui amado, acredito, algumas vezes. Também deixei de amar algumas vezes. Seja como for, há algumas perdas irreparáveis no caminho. Pessoas que me fazem tanta, mas tanta falta. Tão importantes. Muitíssimo importantes. Insubstituíveis. Únicas. E como dizia Adriana Falcão, “‘único’ é tudo aquilo que pela possibilidade de virar ‘nenhum’, pede cuidado”. Talvez seja isso… Passei minha vida tentando mostrar a elas isso. Quantas vezes disse: “é preciso tratar como precioso o que é precioso”. E me eram tão preciosas. São. Mas, mesmo que tenham entendido (?) isso, se foram. Mil partidas, como disse… Quis sempre e tanto mostrar a necessidade de urgência em viver, da importância de certas coisas. Do meu jeito torto, do jeito que fui aprendendo, aos trancos e barrancos, sei lá… Mas tentei. Acho que ninguém poderá dizer que não. Mas também acho que ninguém dirá nada, porque não acredito que vêem importância no que fiz ou deixei de fazer, no que senti ou deixei de sentir, no que acreditei ou deixei de acreditar, no que senti ou deixei de sentir, no que vivi ou deixei de viver. Será que fui importante assim alguma vez também pra alguém? E, se fui, por que foram embora? Se fui precioso, por que me jogarem fora?
Tenho relembrado tantas coisas… Uma vez ouvi detalhadamente uma descrição do amor que me deixou emocionado. Não só bela beleza e pela pureza nos olhos de quem descrevia, porque os olhos mostram o que a pessoa sente, no que acredita, quem ela é… Mas também por ter pensado eu: “puxa, encontrei alguém que percebe o amor da mesma forma que eu, o que eu vi dentro dos olhos dela é mesmo verdade, como eu já acreditava”. E é verdade. Bem, provavelmente seja. E depois ela me disse, “então, pra mim amor é isso… mas não é isso que eu sinto por você”. É algo como ver o paraíso e não ser deixado entrar. (Bem… Nunca fui bom com metáforas. Literalmente então: é menos pior entender que ninguém sabe o amor como eu, do que compreender que alguém sabe o amor como eu, mas não me ama.) Ou que os momentos mais felizes de uma pessoa foram certos momentos ao meu lado… Será a felicidade algo tão aterrorizante? Ou que sou tudo que sonharam num homem. Será que as pessoas ao realizarem o sonho, o descartam? Enfim… Passei a vida implorando para que dessem importância ao que é importante e que não fugissem disso, que abraçassem isso. Não adiantou muito. Já ouvi e senti declarações apaixonadas. E acredito que eram de verdade. Mas, foram momentos. As pessoas continuam indo embora. (Continuam dizendo que querem algo e não sabem o que fazer quando conseguem? Não sei.) Sempre indo embora… E dizem: “olha, um dia você encontrará essa pessoa, ela existe”. E eu sei que existe, era justamente ela indo embora e eu já havia encontrado. Mas vão embora. Sempre vão.
Tenho essa loucura… Sim, loucura. Que outro nome? Ilusão…? Talvez seja bom nome também, mas parece-me mais algo de louco mesmo. Passei a vida acreditando em algo que não existe. Quero dizer, existe, mas só dentro de mim. Que também, diferença alguma faz. Nunca fui tão importante assim pra ninguém. Ninguém que tenha criado céus ou movido terras por mim. Não valho a pena. Ou ninguém está interessado nisso. Cada um por si. E eu deveria estar por mim. Mas não consigo. Nunca fui sozinho, nunca quis ser, não sei ser. Sempre quis ter alguém com quem compartilhar toda a vida, todo o sonho, toda a esperança e todo o aprendizado. Pra aprender, pra ensinar, pra viver, enfim… As pessoas falam, mas ninguém de verdade quer isso. A maioria sequer move uma palha. Ninguém que queira se aprofundar, se abrir, viver, enfim… Todos dizem querer ser amados, mas não suportam isso. Muitos dizem amar, mas pouco sabem o que isso significa. Ou sabem… Talvez saibam. E errado sou eu. É… Provavelmente é isso. Mas, tanto faz. Eu estar certo ou errado, que diferença faz? Gênio ou estúpido, nunca fez verdadeiramente diferença alguma. A minha presença ou ausência, tampouco. Não sentem de verdade minha presença. Não sentem, de forma alguma, minha ausência. Sempre quis inundar a vida de quem amo de alegria. Que percebessem, sentissem esse amor que sinto. Sempre acreditei que se sentissem como são amadas, não iriam embora. E devo confessar que sempre quis também de quem amo um amparo impossível. Alguém que me mostrasse que não sou ridículo. Alguém que achasse que isso é mesmo importante. Mas eu sou ridículo. E nada disso é importante. Porque nada que é importante é jogado fora. Parece tudo muito triste, mas quem já foi amado por mim sabe o quanto eu posso ser feliz. Quando se distraíram, e por pouco tempo se permitiram a esse amor. O quanto eu posso… Tudo que posso, e não faz diferença. Porque sempre vão embora. Mil partidas… E, a qualquer momento, será a minha vez de partir. Não fará diferença, eu sei. Mais um pouco e será como se eu jamais tivesse existido. Ao ir embora, não existirá mais nenhuma prova que alguma vez existi. E, na verdade, jamais existi. Quem não sentiu minha chegada, minha presença, jamais sentirá minha partida. Então, é isso: passei a vida tentando existir. Existir pra mim é amar e ser amado. Viver plenamente isso, essa beleza, essa alegria, essa entrega… Sem ninguém ir embora. Sem existir fim. Então, posso partir sem preocupação… Não farei falta a ninguém. Porque nunca cheguei mesmo a existir. (Se alguém me ouvisse, eu diria adeus. Assim como é, nem é preciso.)
Eu existo. 


(Autor Desconhecido)